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11/01/2018 | 21:07 | Praia Notícias | Geral

Temporal causa deslizamentos e alagamentos em bairros do sul e leste da Ilha

Tiago Ghizoni / Diário Catarinense


O caos provocado pelas fortes chuvas em Florianópolis atingiu em cheio quase todos os bairros do sul e do Leste da Ilha. Comunidades ficaram isoladas pelo desmoronamento de morros ou por estradas alagadas. Muitas famílias também precisaram sair de casa e perderam todos os seus bens.


Na manhã desta quinta-feira (11), moradores da Barra da Lagoa foram surpreendidos com o deslizamento de terra no Morro da Praia Mole, único acesso para o centro da cidade sem precisar ir pelo norte da Ilha. A lama junto com árvores e pedras tomou conta da SC-406. O comerciante José Pereira disse que o problema já era previsto.


— Nós passamos de moto ontem (10) e as pedras já estavam soltas. E tem mais para descer — prevê o morador.


Na Lagoa da Conceição, que extravasou e ficou completamente da cor marrom em vários pontos, a Avenida das Rendeiras ficou alagada, e os motoristas precisavam cruzar pela calçada. O Morro da Lagoa teve quatro árvores caídas. Um riacho que passa no alto do morro virou uma cachoeira de água barrenta. 


Esse riacho segue seu curso e passa por baixo de um sacolão no Canto da Lagoa. Só que a vazão tão forte destruiu um muro do prédio, o chão da peça onde ficam as mercadorias e quebrou completamente a calçada. O dono do local, Fábio Marcelo dos Santos, teve de montar uma barraca na frente do sacolão para vender as frutas e verduras.


— Tivemos que tirar tudo aqui de dentro às 2h. Eu não consegui parar até agora — disse o comerciante no meio da tarde.


Noutro riacho a poucos metros dali, um turista de São Paulo que deixou o carro estacionado em uma casa de aluguel teve o veículo arrastado por cerca de 20 metros pela força da correnteza. Ele ficou deitado por um triz de cair na ribanceira. 


— No meu última dia em Florianópolis, acontece isso. Tomara que o guincho consiga tirar ele daí — desejou Geraldo Luís Felipe.


A estrada geral do Canto da Lagoa, a Laurindo Januário da Silveira, teve muitas árvores caídas e rachaduras no asfalto. Próximo ao morro do Badejo, o barro de uma obra na encosta deslizou e fez a avenida parecer ter voltado aos tempos de chão batido. 


Campeche e Rio Tavares alagados


Se no leste os problemas foram causados por deslizamentos e queda de árvores, no sul os alagamentos deixaram prejuízos. O trevo do Rio Tavares ficou completamente alagado, situação que obrigou a Base Aérea a liberar a passagem de carros nos dois sentidos. Só que os acesso lá no trevo da Seta ficou completamente congestionado, tanto na Via Expressa Sul como na Jorge Lacerda, a geral da Costeira. Servidões próximo ao futuro elevado do Rio Tavares ficaram embaixo d'água. Numa delas, a Pinho Cuiabano, duas famílias perderam tudo e precisaram sair de casa.


Hostel virou abrigo para moradores 


Na rua Jardim dos Eucaliptos, paralela à praia do Campeche, a água chegou a bater na cintura. Moradores foram resgatados de casa com a ajuda de caiaques. Caso do Alex Roberto da Cruz, que mesmo assim precisou voltar na enchente para resgatar os dois cachorros da família que ficaram ilhados.


— Em casa eu só consegui sair com as roupas do corpo. Até os chinelos saíram boiando na água — lamenta.


Ele e mais seis vizinhos estão abrigados em um hostel na Rua Pinguim, uma transversal a Jardim dos Eucaliptos e que por ser em ladeira teve casas que não ficaram alagadas. Lá também está o Isaías Antunes, de 49 anos, que não teve tempo de salvar móveis nem eletrodomésticos.


— Sem casa, sem quarto, sem cama. É horrível perder tudo!


A turista argentina Eugenia Brandan, de Tucuman, veio com 9 pessoas da família e seu filho de 2 anos pelo terceiro ano consecutivo para Florianópolis. Ela está hospedada em uma casa alugada  no Campeche.


— Já estivemos aqui nos outros anos e nunca vimos nada parecido. Nossos carros ficaram totalmente cheios de água. Mas vou aproveitar agora e dar um pulo na praia porque não há o que fazer — disse enquanto levava uma cadeira de praia pela enchente.


Enquanto os moradores atravessavam, no final da tarde, as ruas alagadas e cheias de armadilhas levando o que conseguiam em cima de tábuas de madeira ou caixas de isopor, a chuva voltava a cair no sul da Ilha. Sinal que o tempo ainda pode piorar a situação dessas famílias. 


 

Fonte: Diário Catarinense

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