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05/07/2014 | 05:34 | Geral

Para evitar roubos a casas alagadas, grupo faz churrasco em Itaqui, RS

Moradores se reúnem em frente a casas para evitar saques à noite

Moradores fazem churrasco enquanto vigiam casas em Itaqui (Foto: Reprodução/RBSTV)


Prato típico do Rio Grande do Sul, o churrasco ganhou também outro significado em Itaqui, na Fronteira Oesta do estado. Em meio a cheia que atingiu o município, moradores se reuniram em frente a casas alagadas na noite desta sexta-feira (4) para assar carne e evitar que ladrões furtem seus pertences, como mostra a reportagem do RBS Notícias (veja o vídeo).


Localizado a 730 quilômetros de Porto Alegre, o município de Itaqui é o mais prejudicado pela chuva que atinge o estado desde a semana passada. De acordo com a Defesa Civil, mais de 9,8 mil pessoas que tiveram de deixar suas casas na cidade em função da cheia do Rio Uruguai e afluentes. Em todo o Rio Grande do Sul, são 15,6 mil pessoas entre desalojados e desabrigados, dois municípios em situação de calamidade e 78 em situação de emergência.


Mesmo o centro da cidade foi invadido pela água do rio, que atingiu 13,2 metros acima do nível normal nesta sexta. Em uma rua próxima a área central, os moradores decideram fazer um churrasco no único ponto onde a água não alcançou. Depois, vão se reverezar na vigília das casas abandonadas para evitar saques que têm ocorrido desde que o rio começou a subir.


“O motivo é cuidar nossa residência. O efetivo é fraco e não dá conta de todo o movimento. E o pessoal alheio está tentando levar as coisas, estão roubando. Hoje à tarde ficamos aqui durante o jogo do Brasil e quatro pessoas foram corridas tentando roubar”, afirmou Henrique, um dos organizadores do churrasco.


A preocupação dos moradores com os bens que restaram é tanta que muitos não conseguiram acompanhar a vitória do Brasil sobre a Colômbia, em jogo disputado em Fortaleza, pelas quartas de final da Copa do Mundo. Em Itaqui, o clima festivo de Copa do Mundo foi substituído pela dor dos que perderam tudo. "Não teve como acompanhar. Ficamos de vigia para evitar que nossas casas sejam roubadas", disse um dos moradores.


Mais moradores tiveram de sair de casa


Na manhã desta sexta, mais moradores de Itaqui tiveram de sair de casa. “Para o cara não sair de baixo d’água, ele vai sair antes para se prevenir”, disse o comerciante Edson Boeira da Silva, que acabou deixando sua residência. "Vou pra casa de parente. Para onde a gente chama de cerro, a parte onde está livre, a parte alta da cidade”, afirmou o jornalista Marco Aurélio Barboza, também ao deixar sua casa.


As pessoas que não tinham outra opção foram para abrigos disponibilizados pelo poder público. Em um clube da cidade, estão cerca de 80 pessoas. “Estamos na espera que baixe a água para voltarmos para nossa casa”, disse um dos desabrigados.


Em outra região de Itaqui, 180 pessoas ficaram ilhadas. A única maneira de chegar e sair do local é de barco. “Fiquei isolado, cheio de água. Está crítica a coisa”, afirmou um dos moradores que se deslocava de barco em ruas alagadas. Para ajudar os desabrigados, o Exército montou barracas e levou mantimentos.


RS ainda tem 15,6 mil fora de casa


Segundo o último boletim da Defesa Civil, divulgado às 18h desta sexta, o total de municípios afetados segue 115, mesmo número dos demais boletins do dia. Destes, 78 decretaram situação de emergência e dois, de calamidade pública (Iraí e Barra do Guarita).


O número de pessoas atingidas por enchentes e enxurradas é de 15.670. São 14.046 desalojados e 1.624 desabrigados no estado. Além da Fronteira Oeste, as regiões Norte e Noroeste também sofrem com os efeitos do excesso de chuva. Até agora, o órgão confirmou duas mortes e emitiu alerta para uma pessoa desaparecida, que é a mulher do homem de 56 anos que foi encontrado na quinta (3) no interior de Arroio do Tigre, no Vale do Rio Pardo. O Corpo de Bombeiros faz buscas na região.

Fonte: G1

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