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24/05/2020 | 11:15 | Política

Ministro da Defesa apoia nota de Heleno, mas nega intervenção militar

Fernando Azevedo disse estar "bastante preocupado com o clima de tensão entre os Poderes"

Reprodução/Internet


O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, afirma que concorda com a nota emitida na sexta-feira (22) pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno. No documento, o chefe da pasta falou de "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional" por ato do Supremo Tribunal Federal (STF).


Heleno criticou o envio para avaliação da Procuradoria-Geral da República (PGR), pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, de um pedido para apreensão dos celulares do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Carlos, no âmbito do inquérito que apura suposta interferência política do mandatário na Polícia Federal (PF). Segundo Azevedo, contudo, tais consequências não seriam um golpe ou uma intervenção militar, mas sim, uma crise institucional. 


Para o ministro, há risco, já que considera que a harmonia entre Poderes é "uma via de mão dupla". No entender de Azevedo, que falou primeiro sobre o caso na noite de sexta à CNN Brasil, o celular do presidente é uma questão de "segurança institucional". Ele afirmou estar "bastante preocupado com o clima de tensão entre os Poderes".


No último mês, o ministro editou duas notas reafirmando o compromisso das Forças Armadas com a Constituição após Bolsonaro participar de atos antidemocráticos. Também exortou a coexistência entre Poderes, num recado ao Supremo e ao Congresso. A frase de Heleno, contudo, foi lida universalmente pelo mundo político como uma ameaça aos Poderes.


Segundo Azevedo, ele soube da nota antes de sua publicação e concordou com seus termos. A manifestação do ministro da Defesa busca ponderação, mas indica também o desconforto crescente da ala militar do governo, e de vários setores da ativa, com as atitudes do Supremo ante o governo Bolsonaro. Uma série de decisões contrárias ao presidente, no Legislativo mas principalmente no Judiciário, estão sendo vistas como excessivas pelos militares. Até aqui, a mais grave na visão deles fora a liminar barrando a posse de Alexandre Ramagem na PF.


Celso de Mello, como condutor do inquérito decorrente das acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro sobre a ingerência na corporação, já vinha sendo criticado pela celeridade no trâmite do caso.


O pedido à PGR sobre os celulares era meramente protocolar, obrigatório aliás, mas, por ter sido feito por parlamentares de esquerda e expedido rapidamente, ganhou ares de conspiração contra o Planalto. Isso gerou a reação de Heleno, referendada por Azevedo, ele também um general de quatro estrelas da reserva.


A situação só piorou na sexta-feira (22), com a divulgação por ordem de Celso de Mello do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, que corrobora a versão de interferência de Bolsonaro na PF, na qual o ministro da Educação Abraham Weintraub pede a prisão de ministros do Supremo.


Enquanto vários oficiais da ativa e da reserva ouvidos pela reportagem tenham classificado como impropriedade a ideia de confiscar o celular do chefe de Estado, o tom de Heleno foi amplamente criticado. 


Azevedo tenta demonstrar harmonia como pivô entre o serviço ativo e a ala militar do governo, ora envolvida na sobrevivência política do chefe. Bolsonaro, por sua vez, voltou a ser questionado acerca da nota de Heleno neste sábado (23).


— Somos um mesmo time: eu, (Augusto) Heleno, Fernando (Azevedo). Somos um mesmo time — respondeu.


Na sexta, o presidente falou que, mesmo se houver uma determinação para entregar seu aparelho celular, não pretende cumpri-la.


— Jamais eu entregaria um telefone meu. Só se fosse um rato para entregar o telefone — afirmou, acrescentando que uma decisão judicial nesse sentido seria "uma afronta".

Fonte: Gaúcha ZH

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